Carta da compaix„o com foco no fim de vida Alan Kelllear

Carta da compaix„o com foco no fim de vida Alan Kelllear

Carta da compaixão com foco no fim de vida Alan Kelllear

As pessoas que vivem com doenças que ameaçam a vida ou que a limitam, os seus cuidadores e as pessoas em luto são grupos sociais com características particulares, forçados a experienciar estilos de vida que estão, frequentemente, ocultos da maioria dos indivíduos e marginalizados da sociedade como um todo. Fora dos serviços de saúde que lidam especificamente com os seus problemas imediatos, essas populações sofrem de uma série de outros problemas que, sendo independentes, estão intrinsecamente relacionadas com as suas condições de saúde ou circunstâncias sociais - solidão, isolamento, perda de emprego, estigma, depressão, ansiedade e medo, ou até mesmo suicídio. Essas populações também sofrem de uma série de outros problemas de saúde debilitantes, muitas vezes causados por problemas sociais e psicológicos - insónias, arritmias cardíacas, fadiga crónica e dores de cabeça, hipertensão e distúrbios gástrico-intestinais.

Cidades Compassivas são comunidades que reconhecem publicamente essas populações, e as suas necessidades e problemas, e procuram reunir todos os principais sectores de uma comunidade para ajudar a apoiá-los e reduzir os impactos negativos - social, psicológico e médico - de doenças graves, cuidados e luto. Uma cidade compassiva é uma comunidade que reconhece que cuidar uns dos outros em momentos de crise de saúde e perda pessoal não é simplesmente uma tarefa exclusivamente para serviços sociais e de saúde, mas é responsabilidade de todos.

Cidades Compassivas são comunidades que encorajam, facilitam, apoiam e celebram publicamente o cuidado mútuo durante os momentos e experiências mais desafiantes da vida, especialmente aquelas referentes a doenças ameaçadoras e limitantes da vida, incapacidade crónica, envelhecimento frágil e demência, luto e fardo do cuidado de longo prazo. Embora o governo local se esforce para manter e fortalecer serviços de qualidade para os mais frágeis e vulneráveis ente nós, essas pessoas não são os limites da nossa experiência de fragilidade e vulnerabilidade. Crises pessoais graves de doença, o processo de morrer, a morte e a perda podem visitar-nos a qualquer momento, durante o curso normal das nossas vidas. Uma cidade compassiva é uma comunidade que reconhece e trata diretamente desse facto social.

Com o apoio da Câmara, uma cidade compassiva irá - através de marketing público e publicidade, fazendo uso da rede de cidades e influências, através de colaboração e cooperação, em parceria com os social media e os seus próprios escritórios - desenvolver e apoiar as seguintes 13 mudanças sociais nas principais instituições e atividades da cidade.

As nossas escolas farão revisões anuais das suas políticas ou orientações sobre o morrer, a morte, a perda e o cuidar.

Os nossos locais de trabalho farão revisões anuais as políticas ou documentos de orientação sobre o morrer, a morte, a perda e o cuidar.

Os nossos sindicatos farão revisões anuais as políticas ou documentos de orientação sobre o morrer, a morte, a perda e o cuidar.

As nossas igrejas terão pelo menos um grupo dedicado a apoiar os cuidados em fim de vida

Os lares das nossas cidades terão um programa de desenvolvimento comunitário, envolvendo os cidadãos de cada área em programas e actividades de cuidado em fim de vida

Os principais museus e galerias de arte realizarão exposições anuais sobre experiências do envelhecer, morrer, morte, perda e cuidar

A nossa cidade será a anfitriã de um desfile alusivo às principais causas de perdas humanas (excluídas as guerras) – cancro, doença do neurónio motor, SIDA, abortamento espontâneo, sobreviventes de suicídio, perda de animais de companhia, viuvez, acidentes industriais e de viação, perda de trabalhadores de emergência e todo o pessoal dos cuidados em fim de vida, etc

A nossa cidade irá criar um esquema de incentivos para celebrar e destacar a organização compassiva, evento e indivíduo/s mais criativo/s. O esquema terá a forma de um prémio anual, administrado por um comité constituído a partir do sector de cuidados em fim de vida. Um "Prémio da autarquia" reconhecerá o indivíduo/s que mais testemunhou os valores do cuidado compassivo

A nossa cidade irá publicitar, na imprensa e social media, as nossas políticas governamentais locais, serviços, oportunidades de financiamento, parcerias e eventos públicos relativos às "nossas preocupações compassivas" com o viver, com o envelhecer, com doenças ameaçadoras e limitantes de vida, com a perda e o luto e com o cuidar a longo prazo. Todos os serviços relacionados com os cudados em fim de vida dentro dos limites da cidade serão encorajados a distribuir este material ou web links, incluindo veterinários e agências funerárias

A nossa cidade trabalhará com a imprensa e social media afim de encorajar uma competição anual de arte ou de contos, alargada a toda a cidade, que ajude a aumentar a consciencialização sobre o envelhecer, o morrer, a morte, a perda e o cuidar.

Todas as nossas políticas e serviços compassivos demonstrarão uma compreensão do como a diversidade molda a experiência, do envelhecer, do morrer, da morte, da perda e do cuidar – através de identidade étnica, religiosa, de género e sexual e através de experiências sociais de pobreza, desigualdade e marginalização

Procuraremos encorajar as instituições prisionais e para os sem abrigo a desenvolver planos de apoio para o fim de vida e luto.

A nossa cidade irá estabelecer e rever estas metas e objectivos nos primeiros dois anos, após o que adicionará, anualmente, mais um sector aos nossos planos de acção para uma cidade compassiva – i.e. hospitais, escolas, instituições de caridade, organizações comunitárias e de voluntariado, policia e serviços de emergência, etc...

Esta carta representa um compromisso da cidade, de abraçar uma visão da saúde e bem-estar que apela à empatia da comunidade, apoiando diretamente os seus habitantes na abordagem dos impactos negativos para a saúde da desigualdade social e marginalização atribuíveis ao morrer, à morte e à perda

Uma cidade não é meramente um lugar para trabalhar e aceder a serviços. É, igualmente, um lugar para desfrutar de apoio, em segurança e proteção, na companhia uns dos outros, nas escolas, locais de trabalho, locais de culto e diversão, em fóruns culturais e redes sociais, dentro da sua zona de influência, mesmo no final dos nossos dias.

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