Tal como foi o silêncio [de luto e de luzes]

Data:2026-05-02

"A minha filha ensinou-me a apreciar a dança dos rios. Passou-me isso. E quando me sento a ver um rio passar, claro, lembro-me dela, mas sinto uma certa paz. Talvez seja isso, a dança dos rios: sentir um pouco de paz de cada vez. Ou talvez a paz seja isso: uma dança de rio."

O luto é inerente à experiência humana, sendo um processo natural de adaptação às perdas. O luto fala-nos da dor de perder algo ou alguém muito significativo para nós.

"...para mim a solidão tem sido... ainda sentir... que a ausência da minha filha me ocupa tanto espaço".

O luto é um lugar individual e único. Morreu-nos uma pessoa, mas essa pessoa não morreu dentro de nós. Continuamos a ser mãe, filho, mulher, marido, irmão, amigo.

E procuramos "encontrar um novo modo de lembrar e de sentir. É uma nova relação que se estabelece com quem já perdemos. Não se trata de esquecer... trata-se de dar nova forma à ausência".O luto também é um lugar comunitário, porque é universal e coletivo. É de todos. E, por isso, o luto pede-nos, também, que a comunidade seja a sua morada, o seu poiso e o seu abrigo, "uma janela de paz". Que a comunidade acolha a nossa perda e luto com reverência e compaixão. Pois é na escuta das memórias que o luto ganha lugar e ganha direito a existir. Pois quem perdemos é parte integrante também da história da comunidade. Dar continuidade a esta história é, pois, garantir o direito à pertença. De quem fica e de quem parte.

Peça de teatro a partir de uma ideia original de Mariana Abranches Pinto

Texto: Ondjaki
Encenação: Lígia Roque
Cenografia e figurinos: Ana Limpinho
Música: António-Pedro
Interpretação: Daniela Vieitas
Produção: Compassio, Daniela Vieitas

Dia 2 de Maio 2026 com duas sessões, a primeira às 18h05 e a segunda às 21h05
Duração: 1h15

Local: Paróquia Sta. Isabel, R. Saraiva de Carvalho, 2-A, Lisboa

Inscrição - Tal como foi o silêncio